Resenha: Nunca Olhe Para Dentro - Amanda Ághata Costa

Publicação Independente
482 páginas
2017

Outras resenhas da autora: A Escolhida

A vida era feita das cores mais radiantes e bonitas para Betina. Pintora prodígio, ainda criança ela conseguiu expôr pela primeira vez. Até que, na volta para casa, um terrível acidente acontece, apagando por inteiro as cores de sua vida. Seus pais morrem, enquanto ela milagrosamente sobreviveu. Agora, totalmente afastada das tintas, ela cursa psicologia e toda sexta visita o lago onde o carro da família caiu, enquanto obcecada, faz de tudo para descobrir o que realmente aconteceu naquele dia.

"Ninguém é perfeito. Não há uma só pessoa que não erre pelo menos uma vez por semana. O que diferencia nossos erro e acertos, é a responsabilidade que tomamos pelas nossas falhas."

O primeiro contato que eu tive com Amanda Ághata Costa foi por meio de seu primeiro livro, A Escolhida, um romance de fantasia sobrenatural. Agora, a autora retorna com uma obra totalmente diferente da primeira. Trata-se de um romance dramático, com uma pitada policial. E com esse livro, Amanda mostra que tem além de talento, versatilidade.

Nunca Olhe Para Dentro conta a história de Betina, uma pintora que após perder tragicamente os pais, para de pintar. Ela foi criada pela tia de forma horrível e por causa disso, tem apenas dois amigos e muitos traumas. Tudo muda porém ao conhecer o médico Nicholas, que vai aos poucos, trazer as cores de volta ao mundo da garota.
Com NOPD, lançado alguns anos depois do primeiro livro da autora, é possível perceber a evolução na escrita dela, que já era muito boa. Nessa história, os capítulos são menores e por isso, há mais fluidez durante a trama. Além disso, ela continua com muitas frases e reflexões muito boas, com uma escrita recheada de metáforas, novamente fazendo-me marcar meu e-book várias vezes. Vale ressaltar também que Amanda Ághata Costa opta novamente em narrar a história pela primeira pessoa no presente, uma escolha unusual (ao menos nas obras em que costumo ler) e muito agradável.

A única coisa de que senti mais falta é o aspecto investigativo em si. Tal assunto ganha bastante destaque na sinopse e eu estava bem empolgada para saber como a autora abordaria esse gênero mais policial, com Betina procurando pistas que leve ao assassino de sua família. Entretanto, não são muitas as cenas sobre, sobretudo até o meio da trama. Já mais para o final, Amanda escreve mais sobre e pude saciar mais a curiosidade, mas ainda assim, senti falta ao longo da história.

É impossível não se emocionar com os assuntos abordados em Nunca Olhe Para Dentro. Betina é uma garota melancólica, em tons de cinza, triste. A narrativa é bastante permeada por esse sentimento - ainda que não seja completa, ganhando vários tons de cores conforme sua evolução. Não só a menina perdeu os pais, como nunca mais teve uma família amorosa, passando por muitas situações que chocam e partem o coração.
Um dos destaques da obra é inclusive a violência doméstica e, devo afirmar, muitas cenas são pesadas, embora absolutamente reais. E claramente, esse é apenas um dos motivos pela qual NOPD é um contemporâneo importante, servindo como alerta para várias pessoas e dando força para aquelas que sofrem com isso. Outros assuntos, como a homossexualidade também ganham destaque, ponto bastante positivo.
Tais assuntos refletem inteiramente na construção dos personagens, que foram todos contruídos de forma um tanto satisfatória. É difícil não sentir nada com as cenas de horror (psicológico e de tristeza) ao longo da trama, ou não se emocionar com o laço que Betina tem com seus únicos amigos - Paola e Caio, ou não se apaixonar com a química que ela e Nicholas possuem. Eles não são os únicos a serem bem construídos, onde todos parecem ter recebido devida atenção em suas histórias.

Vale mencionar também as inúmeras reviravoltas durante a obra, principalmente no final. Foi praticamente impossível adivinhar quem causou o acidente e há mais e mais reviravoltas, tornando-o fim agitado e com ainda mais emoção.
Portanto, Nunca Olhe Para Dentro é um livro importante em relação a sua mensagem e belíssimo quanto à história. Além disso, mostra que Amanda Ághata Costa é uma autora de extremo potencial, comprovando seu talento sobre escrever muito bem sobre diversos gêneros e temas diferentes.

"Todos merecemos um amanhã mais colorido do que o de ontem, não menos que isso, sempre mais."

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