Resenha: Olá, Adeus e Tudo Mais - Jennifer E. Smith

Editora Galera Record
Tradutora: Alda Lima
280 páginas
2017

Outras resenhas da autora: A Geografia de Nós Dois.

Clare e Aidan namoram há três anos. Entretanto, no dia seguinte ambos irão para a faculdade... E cada um ficará em um extremo do país. Por isso, pelas próximas doze horas, o casal irá refazer os caminhos e momentos importantes do relacionamento, revivendo memórias afim de decidir se o melhor para ambos é terminar ou permanecer junto.

Minha relação com a Jennifer E. Smith possui altos e baixos. Se por um lado eu amei A Geografia de Nós Dois, acho que Ser Feliz é Assim e A Probabilidade Estatística do Amor pecaram em algumas coisas. Ainda assim, eu estava com muitas expectativas para Olá, Adeus e Tudo Mais, sobretudo por causa da sinopse. E como eu imaginava, mais um livro da autora conquistou meu coração.

"É verdade que o mundo é cheio de sinais. Eles simplesmente significam coisas diferentes para pessoas diferentes. Para Clare, isso parece a exceção. Para Aidan, parece a regra."

[HQs #10] Kombi 95 - Thiago Ossostortos

Kombi 95 é uma HQ de autoria de Thiago Ossostortos e lançada pela Plot Editoral, um selo da Astral Cultural, mas que também pode ser chamada de túnel do tempo por conta das 128 páginas carregadas de referências aos anos 90 e que causam uma overdose de nostalgia a quem viveu, ainda que pouco, nessa década.

Anos 90. Regras: não há regras. A música é revolucionada ao vivo na televisão de um Brasil pré-internet. As rodinhas dos pains se enfileiraram. Estudantes lotam o Playcenter. Milhões de salgadinhos são vendidos por dia, mas tudo por causa de um pequeno disco de plástico dentro dos saquinhos. As tardes de domingo são regadas a grupos de pagode, pessoas dançando com garrafas e famosos ensaboados digladiando-se dentro de uma banheira. Um menino desaparece na periferia da Grande São Paulo. Os boatos de uma gangue de palhaços que sequestra crianças para o tráfico de órgãos agitam um bairro, levando um grupo de amigos a fazerem justiça com as próprias mãos. Acompanhem essa história de erros, acertos e vidas colocadas em risco no meio da efervescência de uma década que se recusou a morrer.

Inspirada pela lenda urbana espalhada na época, onde palhaços sequestravam crianças para roubar seus órgãos, a história é sobre um grupo de amigos que se reúnem para encontrar os temidos palhaços após o desaparecimento de um dos meninos da rua, o Albino. Autonomeados de Os Caça-Palhaços, o grupo se aventura no mistério do sumiço e nos transporta por uma viagem mais do que lotada de referências: músicas, programas de TV, danças (alô pessoal que dançava na boquinha da garrafa), comidas, desenhos, brincadeiras, roupas e até mesmo comportamentos. Confesso que pela metade achei a trama um pouco sem rumo mas tudo se encaixou após o desfecho, que foi totalmente inesperado.

Há muitas citações a sucessos da época, em especial os musicais, e por isso no fim da HQ um código QR Code que leva a uma playlist no Spotify cheia de canções da época que é muito legal tanto para matar a saudade quanto para se ambientar.

Com traços marcantes e cheio de cores, as páginas são uma explosão de informação visual mas que ao mesmo tempo tem sua própria organização e não deixa o leitor confuso. É impossível não se sentir nostálgico ao virar as páginas dessa obra, afinal mesmo quem não nasceu naquele tempo conhece ou ao menos ouviu falar das maioria das coisas que foram referenciadas.

A parte gráfica só merece elogios: de excelente qualidade, da capa às páginas internas, é possível perceber todo o cuidado com o qual a obra foi tratada. Mais um ponto positivo pro selo!

Kombi 95 é uma reunião de diversão e nostalgia de alta qualidade que mais do que merece um espaço na sua estante.

Resenha: A Diversidade em Perigo - Pascal Picq

Editora Valentina
Tradutora: Maria Alice A. de Sampaio Dória
272 páginas
2016

O famoso naturalista Charles Darwin, na aurora de sua carreira, realizou uma viagem que lhe permitiu avaliar a extraordinária riqueza do mundo natural. Para ele, não haveria vida sem evolução e não haveria evolução sem diversidade! Um século depois, aquele que se tornaria um grande antropólogo, Claude Lévi-Strauss, partiu, ainda muito jovem, para a descoberta dos povos da Amazônia e compreendeu que a diversidade cultural era crucial para a evolução do homem. Neste livro, Pascal Picq imagina que os nossos dois cientistas partem novamente para a aventura, para a redescoberta do Novo Mundo. Entretanto, Charles Darwin e Claude Lévi-Strauss teriam dificuldade em reconhecer esse Novo Mundo, a tal ponto as diversidades natural e cultural foram danificadas. À medida que as espécies desaparecem e as culturas e as línguas morrem, é o nosso futuro e o da Terra que são prejudicados. Darwin e Lévi-Strauss nos avisaram. Por que não os compreendemos? Podemos, enfim, ouvi-los? Um apelo fascinante a uma conscientização urgente e salutar.
*sinopse original

Desde o ano passado, venho tentando sair um pouco do que sempre foi a minha zona de conforto. Ou seja, romance romântico em geral, com muito YA. Tenho tentado ler mais dos outros gêneros, o que inclui não-ficção. Então, quando a Editora Valentina liberou A Diversidade em Perigo para leitura, não pensei duas vezes, já que quanto à área de não ficção, o que mais me interessa são os livros de ciência, que me fazem querer aprender mais e mais, mesmo que eu seja de humanas.

"A explicação de nossas origens comuns exige que rejeitemos qualquer hierarquização a priori entre as espécies e as populações humanas."

Resenha: Dumplin' - Julie Murphy


Editora Valentina
Tradução Heloísa Leal
336 páginas
2017

Especialmente para os fãs de John Green e Rainbow Rowell, apresentamos uma destemida heroína e sua inesquecível história sobre empoderamento feminino, bullying, relação mãe e filha,e a busca da autoaceitação. Sob um céu estrelado e ao som de Dolly Parton, questões como o primeiro beijo, a melhor amiga, a perda de alguém que amamos demais e "estou acima do peso e ninguém  tem nada com isso" fazem de Dumplin' um sucesso que mexerá com o seu coração. Para sempre. Gorda assumida, Willowdean Dickson (apelidada de Dumplin' pela mãe, uma ex-miss) convive bem com o próprio corpo. Na companhia da melhor amiga, Ellen, uma beldade tipicamente americana, as coisas sempre deram certo... até Will arrumar um emprego numa lanchonete de fast-food. Lá, ela conhece Bo, o Garoto da Escola Particular... e ele é tudo de bom. Will não fica surpresa quando se sente atraída por Bo. Mas leba um tremendo susto quando descobre que a atração é recíproca. Ao contrário do que se imaginava - a relação com Bo aumentaria ainda mais a sua autoestima - Will começa a duvidar de si mesma e temer a reação dos colegas de escola. É então que decide recuperar a autoconfiança fazendo a coisa mais surreal que consegue imaginar: inscreve-se no Concurso Miss Jovem Flor do Texas - junto com mais três amigas totalmente fora do padrão -, para mostrar ao mundo que merece pisar naquele palco tanto quanto qualquer magricela.
*Sinopse original

"Às vezes, descobrir quem você é implica entender que o ser humano é um mosaico de experiências. Eu sou Dumplin'. Will e Willowdean. Gorda. Feliz. Insegura. Corajosa."

Quando comecei Dumplin' não imaginava, mesmo com os elogios que já havia lido, que ele seria esse livrão todo que me deixou encantada com a protagonista e tudo o que ela tem a ensinar. Comecei a ler despretensiosamente e quando dei por mim já estava devorando página atrás de página e enchendo as folhas de post-it pra marcar as inúmeras citações de que gostei.


Resenha: Uma Dobra no Tempo - Madeleine l'Engle

Editora Harper Collins Brasil
Tradutor: Érico Assis
240 páginas
2017

Filhos de cientistas, Meg e Charles Wallace sempre foram acostumados às loucuras em suas vidas, eles mesmos sentindo-se deslocados grande parte do tempo, sem muitos amigos.
Então, quando o pai deles some trabalhando para o governo e depois de sempre mandar notícias, a família inteira fica um tanto abalada. Até que em uma noite tempestuosa, uma figura muito curiosa aparece na casa da família, mandando um aviso que deixa a mãe de Meg atordoada. Agora, cabe a ela e ao irmão partirem em busca do pai, com a ajuda de Calvin, um garoto solitário que está em busca de uma aventura.

Não é a primeira vez que Uma Dobra no Tempo é publicado no Brasil. Há alguns anos, a maior parte dos livros da série foram publicadas aqui, de uma forma bem diferente, como um livro pequeno, capa mais infantil e que, por mais que eu já tivesse visto muitas vezes em livrarias, nunca me chamou muito a atenção.
Em 2017, porém, a editora Harper Collins Brasil relançou o livro todo repaginado. Possui uma diagramação maravilhosa, capa belíssima e dura e que me convenceu a dar uma chance a leitura (sim, desculpem caros leitores, mas a primeira coisa que eu olho em um livro é a capa. Em seguida, a sinopse).