Resenha: O Estranho Contato - Kelly Shimohiro

 
Editora Empíreo
208 páginas
2015

Ághata Guiller é uma jovem de 19 anos que sempre teve uma vida extremamente tediosa, onde nada era suficiente para empolgá-la. Ao menos até conhecer Tom, o primo misterioso que chega da Europa para passar um tempo em sua casa. Com seus sonhos estranhos, ela sabe que está apaixonada pelo garoto, ainda que ela tenha um pouco de noção de que correrá riscos, mesmo sem saber o motivo.

O Estranho Contato é o primeiro romance da autora Kelly Shimohiro. Narrado em primeira pessoa, Ághata inicia sua história narrando sobre sua vida entediante, e há toda uma descrição sobre como sua família funciona, seu colégio, justamente para ambientar sua vida antes de Tom chegar.
A escrita da autora é bem juvenil e ora alterna-se entre ser bem descritiva, ora escassa de detalhes, onde normalmente seguem-se descrições dos sentimentos da protagonista pelo mocinho. Por isso, a obra acaba caminhando devagar, tomando ritmo apenas depois da metade do livro. A partir daí, O Estranho Contato torna-se envolvente, com ação e até mesmo momentos tristes.
"Depois de dias, semanas, meses, você não foge mais da dor. Ela é você agora. Não importa aonde vá ou o que faça para despistá-la. Ela sempre volta, volta e volta até te alcançar e ficar."

Entretanto, o maior diferencial da história é a criatividade em imaginar outros universos com características semelhantes, mas ao mesmo tempo, muito distintas. O mundo e a ambientação criados por Kelly são de fato fascinantes. As descrições são bem feitas, fáceis de imaginar as cenas, além de haver todo um cuidado para criar coisas diferentes do que conhecemos e ficcionais, e mesmo assim parece mágico imaginar outros modos de se escrever uma história, por exemplo. Ou seja, O Estranho Contato mescla muito romance com fantasia e ficção científica, já que a medida que a protagonista conhece Tom, fenômenos não naturais começam a acontecer no planeta.

Entretanto, O Estranho Contato perde muito por causa do romance, que deveria ser muito melhor trabalhado. O amor de Ághata por Tom não convence, porque por mais que ela tenha o visto algumas vezes em seus sonhos, ela torna-se irrevogavelmente apaixonada pelo rapaz, sendo que ambos ainda são completamente estranhos um ao outro. Logo, ao longo do livro temos inúmeras passagens sobre o quanto Ághata gostaria de estar com Tom, beijá-lo, tocá-lo... E é difícil que o leitor sinta empatia ou compreenda. Com algumas páginas a mais dedicadas ao pré-relacionamento deles, o romance seria mais crível e agregaria mais sentimentos a trama.

Além disso, tive muita dificuldade em gostar da personagem principal. Apesar de Ághata ter dezenove anos, em momento algum ela aparenta ter a idade, e sim, ser uma garota mais jovem, principalmente pelas suas atitudes e pensamentos. Felizmente, ela foi a única exceção e pude simpatizar com todos os outros personagens, principalmente com o pai da garota e Fred, seu melhor amigo.

O final termina entreaberto. A história não possui uma conclusão, nem é possível imaginar o que vai acontecer no próximo volume. Entretanto, este conclui-se de maneira satisfatória, quase como filmes com continuações, onde a situação está amenizada no final, para no próximo, algo acontecer novamente.
Kelly é uma autora iniciante com grande criatividade e boa escrita, ainda que mereça ser lapidada em alguns momentos. Com O Estranho Contato, a autora mostra seu potencial e me deixa curiosa para saber mais sobre o que acontece com a Ághata e com as pessoas que mudaram sua vida.

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