Resenha: Elegia - Décio Gomes

 
Editora PEL
308 páginas
2017

ATENÇÃO! Por se tratar da resenha do terceiro volume, pode haver spoilers dos volumes anteriores.
Outras resenhas do autor: Albertine; Minueto da Madrugada.

Sete anos após os fatídicos acontecimentos na mansão Ridell, Rosa, Padre Jullian e Albertine vivem uma vida tranquila. Na teoria, pelo menos. Visões e acontecimentos terríveis passam a assombrar a vida da pequena família, que agora conta também com Nathan, fruto do relacionamento de Albertine com Jeremy. Os pesadelos ganham vida e tornam-se avisos para a jovem mulher e seu filho, destinado a uma maldição de família. Agora, eles devem desenterrar o passado, trazendo com ele revelações, medo e dúvidas, mas com a certeza de que na vida ou na morte, família é para sempre.

Esperei mais ou menos dois anos para enfim saber como se conclui a história de Albertine. Para quem não sabe, o primeiro volume, de mesmo nome da protagonista, conta a história principal. O segundo, Minueto da Madrugada, volta no tempo para contar a história de uma geração antes da família Ridell. Por fim, em Elegia, volta-se ao tempo de Albertine, para saber a continuação e fim da história.
Felizmente, dois anos de espera valeram a pena e pude ler então, o melhor volume da trilogia.


O autor permanece com sua escrita bem detalhada e um tanto poética quanto às descrições dos cenários, e percebi certa evolução em sua narrativa, que no terceiro livro ganhou um tom um tanto melancólico, que caiu muito bem e enfatizou as inúmeras cenas chuvosas em Elegia. Atrelado a isso, há o ritmo constante de que há algo errado, com cenas de mais tensão e adrenalina. E quando não é esse o caso, Elegia permanece com um clima de angústia constante.
Outra coisa que me chamou a atenção é que, ao menos para mim, o terceiro volume foi um tanto mais assustador que os outros. Creio que seja também pelo fato de se tratarem de personagens que já haviam me cativado anteriormente, e por isso as cenas causam muito mais espanto e frio na barriga, principalmente naquelas que envolvem o desespero e angústia de Albertine ao ver o filho se machucar logo depois dela.

Creio que uma das coisas que mais gostei foi que neste livro, as relações familiares e afetuosas são ainda mais fortes. Elegia, considero eu, é sobre a força, proteção e cumplicidade que deve haver em uma família. Por mais que apenas Albertine sejam parentes de sangue, os quatro - contando com Rosa e Jullian dão tudo de si para que protejam um ao outro, principalmente a Nathan, que corre grande risco com as coisas que o perseguem.
Se no primeiro livro, Décio Gomes apresenta um relacionamento infeliz e abusivo, agora ele apresenta um relacionamento gentil e verdadeiro, ainda que pelo desespero e medo, haja desconfianças e brigas, realidade desses laços.

O terceiro volume também conclui todas as dúvidas que permanecem dos primeiros livros, deixando mais claro também sobre a maldição da família Ridell, quem está por trás e esclarecimento das motivações. Além disso, a trama está toda interligada entre os personagens, em passado e presente, inclusive ocorrendo algumas revelações surpreendentes e cheias de reviravoltas, que deixam o leitor confuso e em duvida sobre em quem confiar. Para o fim, alerto que como se trata do gênero de terror, há cenas mais pesadas.

Elegia mostrou-se então um final agridoce para as Crônicas Ridell, mas ideal para o que a trilogia prometia, sendo então, muito satisfatório. Décio Gomes mostrou mais uma vez saber escrever obras de terror de muitíssima qualidade, sem apelar para cenas nojentas. Além disso, devido a um gancho formado ao longo do livro, fico ainda mais ansiosa para ler a série spin off sobre o Padre Jullian, bem como continuar acompanhando a carreira de um escritor extremamente promissor.

Sobre a trilogia:
Elegia é o último volume d'As Crônicas Ridell, que contam com Albertine e Minueto da Madrugada, ambos também resenhados pelo blog.

1 comentários:

  1. Que resenha maravilhosa, Camila! Só achei agora depois de alguns dias de postada, e estou realmente emocionado. Muitíssimo obrigado!

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